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No labirinto da cidade há inequívocos
sinais de uma presença secular portuguesa. Uns mais óbvios
que outros mas todos remetendo para uma memória longínqua.
É nessa cidade invisível,
constituída por pistas, monumentos, sons, odores, fragmentos
e lembranças, que se procura o rasto de um caudal que correu
por muitos anos e que foi deixando despojos, sinais, tradições,
marcas de uma cultura. Por vezes, é na curva de uma estrada
que se encontram essas marcas. Ou na tabuleta de uma rua, na confecção
de um prato e na expressão de uma pessoa. Há os símbolos
gravados na pedra ou cerzidos num pano, referências de um
poder político e administrativo que foi semeando os seus
sinais. No ano em que Macau regressou à soberania chinesa,
enumerar os sinais da presença portuguesa pode parecer um
gesto nostálgico. Mas não, trata-se tão só
de ganhar distância.
Um último registo atempado de
algumas "marcas" que a transferência de soberania,
a 20 de Dezembro, entretanto, apagou.

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